Na Bíblia encontramos um texto onde Jesus fala de algumas pessoas que enxergam defeitos em outras, mas não conseguem ver o que acontece consigo. Parece um pouco da minha história recente, onde eu não conseguia ver o que estava acontecendo com aquele reflexo no espelho, a minha frente, todos os dias. Hoje é difícil de eu crer no que vejo e graças a Deus por poder ver!
Mas, o que eu não enxergava? Não conseguia ver um homem com mais de 122 kg. Você pode imaginar que uma pessoa deste tamanho não é alguém difícil de ser notado. O que realmente eu não via era justamente o “tamanho”.
Ao final do último ano, depois de muitos alertas de minha esposa e filhas, decidi, não pelo que eu estava vendo, pois aquele reflexo corpulento estava apenas fofinho, mas porque eu não estava dormindo bem, com apnéia do sono, roncando como um trovão (dizem, pois eu não ouvia nada, exceto algumas vezes que acordava com certo barulho e desconfiado do que poderia ser) e o pior de tudo, o fato de eu constantemente ter a sensação de que estava morrendo e acordar assustado. Decidi que alguma coisa deveria ser feita.
Assim, como um bom conhecedor da área do fitness, já que sou formado e pós-graduado em Educação Física, com vários cursos na área de ginástica aeróbica, personal training, musculação, entre outros (acredite se quiser) dei início a mudança.
Neste caso todos precisam começar pelo consultório médico. Depois de alguns exames cardiológicos o médico constatou que meu coração estava ótimo e sem qualquer alteração na pressão. Mas, quando olhou o exame de sangue, percebeu que eu já estava diabético, o colesterol não pode nem ser avaliado no exame pois o índice de triglicerídeos estava tão alto que prejudicou este exame, havia chegado ao extraordinário índice de 1.222, quando o máximo aceitável é 190-200.
O médico aconselhou iniciar uma mudança em minha vida imediatamente, aproveitando que não havia nenhum problema com pressão ou coração, sob pena de ter algo gravíssimo nos anos seguintes. Então me encaminhou para a endocrinologista.
A médica ficou muito assustada com o triglicerídeo. Receitou-me remédios para baixar o diabetes e o triglicerídeo. Deu mais algumas orientações, passou uma bela dieta, um moderador de apetite e perguntou se eu teria alguma dificuldade em executar o que havíamos planejado. Respondi a ela que não teria problema nenhum e aceitei o desafio. Assim, me despedi da pizza, dos pastéis, dos refrigerantes e de outros quitutes mais (eu os comi com tristeza pois já sentia saudades).
Cerca de dez dias depois, em pleno tratamento, fiz outro exame de sangue e constatou-se que não havia mais nenhum problema dos visto anteriormente. O médico falou que era o efeito dos remédios. Agora restava a batalha contra a obesidade. Neste mesmo exame foi avaliado meu peso e deu uma diferença para menos, acreditei que poderia ser problema com a balança, mas era realmente o efeito do novo hábito alimentar e as raras caminhadas que foram feitas. Neste momento senti muita força para continuar o processo já que vi resultados positivos.
Algumas pessoas me falavam que eu estava mais magro, mas eu ainda não percebia os efeitos, embora a balança estava me informando sobre redução acelerada do peso. Algumas roupas começaram a ficar folgadas levemente e um ou outro ponto na sinta teve que ser apertado.
Três meses depois eu já havia registrado um grande avanço, embora ainda não percebia claramente aquela figura no espelho mais magra. Foi assistindo um programa de televisão que me deixou muito animado para prosseguir. O tema era “redução de estômago”. Vi uma reportagem sobre uma jovem com cerca de 19 anos, obesa e batalhando por uma cirurgia onde reduziria seu estômago, pois sonhava em ter uma vida diferente e realizar seu sonho que era ir de biquíni à praia. Ela conseguiu o que queria e filmaram os momentos antes da tal cirurgia.
Três meses depois, a reportagem vai ao encontro dela na praia, a encontra de biquíni e feliz da vida pelo fato de ter perdido 18 kg, embora ainda estivesse gorda. Neste momento fiquei mais feliz que esta jovem pois não precisei passar pelo risco de uma cirurgia, mutilar meu corpo, ser dependente de medicamentos o resto da vida, podendo ainda ter graves complicações no futuro e com grandes possibilidades de voltar a engordar, e eu já havia perdido neste mesmo período 21 kg. Só precisei mudar alguns hábitos.
A partir daí eu já começava a enxergar outra pessoa no reflexo do espelho. Cinco meses depois do início da mudança 25 Kg haviam sido perdidos. Tive alguns problemas com minhas roupas, mudei de cinto pois o que eu utilizava havia acabado os furos, minha aliança foi do número 27 para o número 22, comecei a utilizar algumas roupas que já não as via há mais de cinco anos, já era possível cortar as unhas do pé, amarrar os sapatos com tranqüilidade, dormir melhor, em fim, a ponto de algumas pessoas não me reconhecerem.
Muitos me perguntam qual o segredo e a resposta é uma só: “não existe segredo, é tudo aquilo que você já sabe mas que não coloca em prática”. Isso mesmo, alimentação simples e saudável, com muitas frutas, verduras, legumes, grãos, exercício físico e outros remédios naturais como sol, ar puro, água pura, equilíbrio (temperança) e confiança no poder de Deus. Ainda como algumas fatias de pizzas, mas em ocasiões especiais, não como mais uma pizza inteira. Evito muito o açúcar, amidos e comer em grande quantidade.
Minha meta é chegar a 80 kg até o final deste ano. Sei que não será fácil mas estou determinado a chegar lá. Se eu conseguir este peso, volto a escrever sobre como perdi 42 kg em 11 meses.
Paulo Ramos
Coordenador do ARCRON