O exercício Físico é recomendado para pobres, remediados e até mendigos. Para qualquer coisa, o remédio é exercício físico. Até para um deficiente físico, que é o meu caso, recomenda-se a pratica do exercício. Só não me explicaram como eu posso praticar esse salutar esporte. Não paro na posição vertical, a não ser segurando em alguma coisa (corrimão, cadeiras, mesas, coisas assim) e mesmo segurando algum lugar, não deixo de levar meus tombos, ao ponto de chamar a ambulância pra me socorrer.
Reconheço que fazer exercício é bom, muito bom, para o corpo e para a mente. Todavia, o brasileiro está dispensado dessa prática. Não existe no mundo quem faça mais exercícios que o brasileiro, principalmente quem ganha o salário-fome ou pouquinho mais.
Eu, por exemplo sou aposentado via SUS, e juntamente com minha mulher, fizemos um tremendo exercício para viver mais ou menos dignamente. Por minha causa, que estou sempre necessitando de uma atenção mais especial, a mulher não pode trabalhar fora, tem que estar sempre atenta aos serviços de casa e ao marido, que embora tenha suas limitações, procura não ser tão inútil na vida.
Praticamos exercícios todos os dias para viver com a fortuna que recebo do SUS. Diga-se a bem da verdade que o pagamento é religiosamente feito no dia marcado, salvo as exceções normais quando é sábado, domingo ou feriado. Fora disso, é só encostar no caixa e receber. Não adianta nem atrasa, é rigorosamente no dia. Enquanto estou na fila, vejo coitados em situação bem pior que a minha, todo satisfeito por receber seu salário mínimo. Depois, é só correr para os exercícios. Paga um pouco aqui, outro tanto ali, não esquecendo que a farmácia está entre os primeiros a ser pago.Para o aposentado com uma certa idade (parece redundância mas não é) o item farmácia tem primazia, pois velho nenhum vive sem remédio. Sem muito exagero, a vida do aposentado é um verdadeiro exercício. Viver com um mísero salário, como diz um político: “VALE COXINHA”, é ser um herói de primeira grandeza. O brasileiro de salário mínimo não deveria ser gordo, ter barriga, ter estafa. Isto é coisa de gente acomodada na vida, ao contrário da vida que o trabalhador leva.
Aliás, o trabalhador bóia-fria por aqui (do interior SP) descobriu um grande remédio para não criar barriga. É um remédio caseiro, chama-se CAFÉ. Não é tomar! É capinar! Quem lida com cafezal, muito dificilmente tem barriga, porque este tipo de agricultura exige muitos exercícios todos os dias.
Quando é pequeno, plantado naqueles saquinhos de papel, exige um tratamento especial, inclusive com regação, até chegar a idade de transplantar para a cova definitiva, quando o trabalho de irrigação tem que ser constante. Quando o café fica grande, enquanto dá uma pausa no manuseio, para não perder o costume, planta-se um milhozinho. Sobrando um tempinho, volta-se para o cafezal e dedica-lhe toda atenção, motivo pelo qual o café é o melhor remédio (pelo menos para esses bóias-frias) contra falta de exercício.O trabalhador pobre não tem ou não deveria ter problemas causados pelo sedentarismo. Eu é que tenho que tomar cuidado, já que não planto café e não posso praticar esportes. Meu negócio é me virar para viver como aposentado do SUS. Eu sempre destaco minha condição de aposentado do SUS, porque tem aqueles marajás que recebem vultuosas importâncias de aposentadoria, quase sempre, sem ter pago o SUS pelo máximo, como eu paguei quase toda a vida.
O fato é que pobre não precisa se preocupar com academia, levantar peso, malhar em determinadas horas, porque a vida em si já é uma malhação, e muito menos, se preocupar em correr, já que sua vida, normalmente, é uma correria.
Enio Campos
Cronista e Radialista
Escreve para jornais em SP e outros Estados
Reside em Serra Negra – SP
Aceesp - 0603
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