segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

É Natal

Esta é uma época em que se vê de tudo. A chamada terra santa deverá ter o maior número de visitantes, cerca de três vezes mais o número de pessoas que visitaram Jerusalém e principalmente a Igreja da Natividade em Belém, em 2006.

Em toda a mídia, loja ou qualquer outro lugar que você olhe ou entre algo lembra a época em que estamos vivendo. Você ouve músicas que só se tocam nesta época, pessoas correndo de um lado para o outro em busca de alguma coisa. As lojas estão lotadas, enfeitadas e seus vendedores vestidos a caráter.

É um festival de compras! E se compra de tudo e para todos. Os pobres recebem presentes, e alguns deles são cestas básicas, muito mais esperadas do que carrinhos de brinquedos e bonecas, mesmo pelas crianças.

Um velhinho de barba branca, vestido com uma roupa vermelha e pesada, em um país onde algumas cidades alcançam uma temperatura com mais de 40º nesta época é o centro das atenções. Têm fotos, esculturas, balões e muitas pessoas vestidas da mesma forma para não esquecerem a época, as compras e o personagem, o qual chamamos de “Papai”.

O coração das pessoas ficam mais sensibilizados e percebem que existem outras criaturas neste mundo e que passam necessidades extremas. Assim, acreditam que uma panela de sopa, um brinquedo, uma cesta básica, uma roupa ou algo semelhante os farão felizes. O problema é que o ano tem 365 dias e não somente um dia – 24 de dezembro.

Espalham-se os mutirões de natal pelo Brasil! Apela-se para a bondade inspirada no tal bom velhinho de barbas brancas, dizendo as crianças que na noite do dia 24 de dezembro ele vem com um trenó, lá do Pólo Norte e deixará presentes para todos os que tiverem sido bons durante os outros 364 dias.

Shoppings apertados, estacionamentos escassos, e algumas pessoas comprando mais do que podem pagar, para ter apenas um dia no ano de saudosismo, alegria, bebedeira e glutonaria, preferencialmente ao lado de toda a família.

É a maior festa comercial em todo o mundo, e o principal personagem tem uma origem duvidosa, mora em um lugar onde não têm pessoas, e sua influência nos faz, em pleno país tropical, a enfeitar grandes lojas com árvores salpicadas de algodão como se fosse neve. Aqui onde as frutas frescas são fartas, corre-se atrás de frutas secas, características de um lugar onde não há possibilidade de tê-las em sua forma in natura.

Que coisa mais esquisita, você não acha? Não seria a época de comemorarmos o aniversário de outro personagem? Alguém viu a foto dele em alguma loja? Viram alguém na rua enfeitado como se fosse ele? Alguém o viu como garoto propaganda de algum shopping, com crianças sentandas em seu colo e pedindo presentes?

Na verdade, não seríamos nós que deveríamos dar presentes para ele? Mas trocamos presentes entre todos e nos esquecemos do aniversariante. E que presente você poderia dar a Ele? Ah! De quem estou falando? De Jesus Cristo, é claro! Se existe natal foi porque Ele nasceu. Não importa se foi esta data instituída por um imperador pagão com outras intenções, o que na verdade importa é termos a certeza de que Jesus nasceu e nunca nos esquecermos disso! Lembrarmos a cada ano deste fato maravilhoso, pois Ele nasceu porque “Deus amou o mundo”, amou e ama todo o ser humano.

Mas o comércio e o personagem concorrente parecem ofuscar um pouco do brilho deste maravilhoso ato de salvação. Este é o clima que Jesus gostaria que a humanidade desfrutasse todos os dias. Um clima de compaixão, amor, solidariedade, abnegação, ou melhor, sermos como Jesus foi.

Por isso que o aniversariante do dia pede a cada um de nós um único presente, o nosso coração. Nada mais, apenas amarmos como Cristo amou.

São muitas as pessoas que esperam ansiosamente por este dia, pois é um dia de muita alegria, nas casas, nos asilos, nas creches, nos hospitais, nas vilas, nas ruas, nas famílias em todos os níveis. E Jesus deseja que este clima seja o mesmo todos os dias. Mas para que isso aconteça, é necessário que o Senhor Jesus nasça em sua vida a cada ano, ou melhor, todos os dias.

Jesus disse: “Assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” João 13:34-35.

Seu nascimento é a certeza de que em breve Ele estará conosco!

Feliz Natal, ao lado de Jesus!

Paulo Ramos
Coordenador Geral do ARCRON

24/12/2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Crise de poder é coisa antiga

Não tenho dúvidas disso, a crise de poder existe mesmo antes da existência desse nosso velho mundo, e não vamos aqui querer determinar a idade da terra, pois cairemos em uma discussão que não terá fim, mas esse é outro papo! O fato é que se pegarmos como exemplo o livro mais antigo que conhecemos, ou seja, a Bíblia, veremos que mesmo no céu houve uma grande confusão para ver quem ficava como líder maior.

Se não acredita, leia no livro de Apocalipse, no capítulo 9. A confusão que se deu no “céu”. Também não me pergunte onde fica esse céu! Mas desde essa crise, que veio parar entre nós, vemos grandes conflitos para obtenção do poder.

Existem pessoas que são capazes de fazer qualquer coisa para possuir o poder: matam, roubam, fazem guerras, mentem, difamam, em fim, você pode ainda criar outros adjetivos. Não é o que vemos em nosso tão difamado Brasil político? Muitas pessoas dizem que já não acreditam em mais ninguém e por isso anulam o voto, já que todos quando passam a exercer o poder, o qual vem do povo e deveria ser utilizado em favor do mesmo, ficam com “amnésia de campanha” e passam a exercer o poder em causa própria.

O mais incrível de tudo isso, é que este tipo de relação de poder já é institucionalizada em nosso país, e em quase todas as esferas de nossa sociedade. Para alcançar ou preservar o poder, muitas pessoas estão dispostas a fazer qualquer negócio. Muitos dos que possuem o poder, o utilizam para desencorajar aquele que luta principalmente o que poderia obter a vitória.

Algumas pessoas temem trabalhar com outras que são capazes igual ou melhor, pois temem perder o poder. Assim buscam os medíocres para junto de si, a fim de manter o status. Não preciso dizer que o resultado disso será um empreendimento igualmente “medíocre”. Mas existem aqueles que querem os melhores ao seu lado. Esses são os que conseguem os melhores resultados, ganham as glórias junto com sua equipe, aprendem mais e se torna cada vez melhor líder, mantendo o poder não artificialmente, mas por merecimento e conquista.

Como cristão eu tenho que dizer para os líderes que temos um modelo especial de liderança que é o Senhor Jesus, mesmo que entre seus discípulos houvesse uma crise de poder. Sim, alguns queriam lugares privilegiados ao lado de Cristo. Alguém chegou a pedir para que sua mãe intercedesse e, em seu nome, obtivesse lugar de destaque no reino que todos pensavam que seria ali mesmo, na Palestina. Por isso que na Santa Ceia, ninguém queria lavar o pé um do outro, que era costume da época e feito por um servo. Estavam todos cheios de orgulho, acreditando que teriam algum poder e os demais seriam seus concorrentes. Vejam! Isso, entre os discípulos.

Muitas pessoas que são hipocritamente aplaudidas pelos seus feitos, agem de determinada maneira por motivos exclusivamente egoístas, assim são aplaudidos por aquilo que realmente não são. O que nos motivaria em nossas ações, então? É simples, temos que partir do princípio bíblico, e eu não poderia fazer de outra forma, ou seja, você e eu, temos que ter profundo e sincero amor, pelas pessoas e por Cristo, como mola propulsora de nossos atos.

Veja estes textos preciosos:
“Não são os grandes resultados que obtemos, mas os motivos que nos levam à ação, o que pesa à vista de Deus. Ele preza a bondade e a fidelidade mais do que a grandeza da obra realizada.” White. 2TPI, 510

“As grandes forças incentivadoras da vida são a fé, a esperança e o amor; é para isso que apela o estudo da Bíblia, bem dirigido.” White. Educação, 192.

É isso aí! Crise, temos em todos os níveis, principalmente crise de autoridade. Diz o escritor esportista Paulo Medina que para haver qualquer mudança é necessária uma crise. Mas quero lembrar a você uma coisa, a corda sempre rebenta do lado mais fraco!

Deus, e creio que todos nós, espera que cada um de seus filhos, especialmente os que detém certo poder, represente Aquele que é a paciência, a bondade, a longanimidade, a honestidade, a abnegação e o amor e sem se esquecer que é um servo, não havendo espaço para orgulho e exaltação própria.

Deus é sua proteção, como Seu filho não sacrifique sua paz e sua honra, mantenha-se ao lado dAquele que tudo fez por você, nosso Senhor Jesus Cristo!

Paulo Ramos
Coordenador Geral do ARCRON
21/12/2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Decepção

Veja este texto do site Terra: “Um pastor foi condenado nesta quinta-feira pela Justiça de Santa Catarina a 71 anos de prisão pelos crimes de estupro e abuso sexual contra duas crianças na cidade de Blumenau (SC), localizada a cerca de 200 km de Florianópolis.”

Não vou citar o nome do tal pastor e muito menos a sua igreja, se você deseja saber entre no site www.terra.com.br. Mas é importante citar que este indivíduo era casado e pai de três fihos. As crianças que sofreram o abuso eram um menino de 10 anos e uma menina de 8 anos.
Já havia se passado algum tempo desde que ocorreram os estupros. Mas o fato se repetiu algumas vezes e, segundo a justiça, era ganhando a confiança da família, fingindo fazer o que realmente deveria estar fazendo, ou seja, ajudar na educação das crianças de sua igreja, que ele obtinha a tranqüilidade necessária para praticar o crime.

Se não bastasse toda a vergonha a que expôs sua família, sua igreja, e a Palavra que pregava, teve que ouvir do Juiz, mais que uma sentença de 71 anos de prisão. Com muita propriedade ele chamou a atenção do réu, que como homem de Deus, ou melhor, “na condição de pastor religioso” – foram estas as palavras, o acusaso (digo acusado para não citar o nome) “deveria ter seguido os mandamentos da Bíblia.”


Mas não parou aí! O Juíz, de Blumenau (me permitam não citar o nome também, mesmo que seja merecedor), ainda citou a Palavra que o tal pastor deveria estar seguindo, finalizando o evento. Ele leu Lucas 18:16 - "Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus".

Nossa justiça vai ainda permitir que o Pastor recorra da decisão. Mas esta é outra história, cabe-nos deixar a justiça trabalhar e Deus também.

Nesta mesma reportagem, havia links para outros assuntos semelhantes, veja:
Preso professor suspeito de abuso
Padre é suspeito de corrupção de menor
Pai é suspeito de abusar da filha

Vamos ver quem são os sujeitos: Professor, Padre, Pai e Pastor. Claro que esta lista é longa, mas estas são as pessoas em que mais deveríamos confiar. O Pai é o que ama, dá proteção, garante crescimento e vida. Professor é o que, em tese, passa mais tempo com nossos filhos do que nós mesmos, portanto, pessoa de confiança, educador, orientador. Quanto a Padre e Pastor, não sei se eu teria mais o que dizer, pois o Juiz já disse e as atribuições destes são semelhantes as do Pai e Professor.

Embora eu não tenha dito o nome do pastor e sua igreja, quero afirmar que estas são as exceções, não a regra. Pai, Professor, Padre, Pastor, nos chamam a atenção porque fizeram justamente o que todos não esperavam. Representam tudo aquilo que a sociedade repudia. São modelos, exemplos. Pessoas com a missão de proteger e salvar, é por esse motivo que são elas que mais decepcionam, e maior impacto causa a sociedade.

Crianças, mulheres e idosos sofrem abusos diariamente. Muitos noticiários ainda nos permitem saber de alguma coisa, já que dizem que a maioria não sabemos porque não há denúncia. Nos chama atenção pela brutalidade e desumanidade, eu diria, irracionalidade. Mas se um destes personagens citados acima, está envolvido, parece que perdemos a fé e a esperança de um futuro melhor.

Mas há esperança! Não perca a fé! Quero reafirmar que estas pessoas não são a maioria. Ainda podemos lutar, ainda podemos acreditar, ainda podemos ter um futuro melhor. São estas crianças, hoje violentadas ou excluídas parte de nossa esperança. Sim! Um grande paradoxo! Mas, é assim que caminhamos, cheios de contradições. Não podemos parar, temos que continuar crescendo, acreditando e tendo esperança.

Sou Pastor e aos pastores quero deixar um recado através das palavras de Horatius A. Bonar, ele diz: “O verdadeiro pastor deve ser um verdadeiro cristão. ...Tem sido dito com certa freqüência que, ‘o caminho para o céu está bloqueado com mestres mortos.’ Será que a obstrução reinante é causada apenas pelos membros da igreja? Vamos olhar para nós mesmos com maior cuidado.” Um recado para ganhadores de almas, 15.

Paulo Ramos
Coordenador Geral do ARCRON

Fonte: www.terra.com.br
Baseado no texto de: Fabrício Escandiuzzi
07/12/2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

No Brasil, melhora a matemática e piora a leitura?

Você ouviu ou leu por aí que no Brasil nossos alunos estão melhores em matemática e piores na leitura. Segundo os pesquisadores foram avaliados cerca de 400 mil alunos, de 57 países. A maior nota registrada foi de 707,9. Os brasileiros alcançaram, em matemática e em leitura, 393 e 370. Veja o resultado disso, segundo O Estadão: “Esse desempenho faz com que o País não consiga passar do nível 1 de aprendizagem - numa escala que varia de 1 a 6, sendo 1 o pior. Isso quer dizer que os alunos conseguem apenas localizar informações explícitas e não são capazes de fazer comparações, estabelecer conexões ou interpretar textos. Em matemática, eles não podem sequer resolver problemas simples.”

Agora vem uma série de comparações com outros países e sistemas educacionais com realidades sócio-econômica-cultural muito diferente do Brasil. Esta estatística só ratifica aquilo que todos nós já sabíamos. O que surpreende um pouco é que a pesquisa foi feita também com algumas escolas particulares, onde se supõe que a qualidade de ensino é melhor do que a que oferece as escolas públicas.

Eu já trabalhei em todos os níveis, ou seja, do maternal a universidade; em escola pública estadual, pública municipal, particular e federal. Vi algumas coisas que confirmam tudo o que dizem as estatísticas e muito mais. Quando eu estava fazendo faculdade de Educação Física, na UFSC, sempre ouvi dizer do sistema educacional sucateado e falido. Formei-me, fui para a escola e o discurso era o mesmo. Fiz minha pós-graduação também na UFSC e ainda discutíamos os mesmos problemas e buscávamos meios de superar as dificuldades. Fiz uma monografia que falava sobre a “violência na escola”. Será que este tema é atual ainda? Sabe quando terminei a pós-graduação? Em 1993. Estamos em 2007 e o discurso continua o mesmo, as escolas continuam as mesmas, e creio que este círculo vicioso não será quebrado tão fácil, pois o problema abrange não somente as escolas, mas a sociedade como um todo.

O próprio jornal nos mostra que tipo de cidadão estamos formando: “O exame de leitura da OCDE analisa não só a habilidade de ler e escrever, mas também de interpretar textos, usar a escrita em situações cotidianas, opinar.” Você percebeu? Não somente não conseguimos interpretar os textos, mas também o mundo a nossa volta; não conseguimos nos expressar, creio que não somente por escrito, mas verbalmente também, nas diversas situações do dia-a-dia e o que eu creio ser gravíssimo, estamos formando pessoas sem opinião. Claro que não estou falando de uma “cabeça oca”, mas de uma formação que não permite a análise e discernimento de algo e emitir opiniões construídas a partir de seu múltiplo conhecimento sobre o assunto, aliado ao seu mundo vivido.

Tenho em casa uma menina de 9 anos que escreve e lê melhor que muitos alunos do ensino médio. Ela não é nenhum gênio, mas ajudou muito alguém estar preocupado com sua educação. O brasileiro está preocupado com a educação de seus filhos? Muitos pais só aparecem na escola para reclamar dos professores ou porque o filho fez algo que necessitasse sua presença ali. Eu creio que a transformação de nossa nação para se tornar um país de primeiro mundo, somente acontecerá através da educação. E esta vontade de crescer e mudar deve começar em cada lar.

Os discursos dos professores quando saem da faculdade são maravilhosos e cheios de vida e esperança, até viverem a realidade da escola, principalmente a pública, onde acaba se acomodando ao sistema, se desejar sobreviver como professor, recebendo o questionado salário. Eu entendo que muitos esforços de bons professores em todo o país tem feito a diferença, mas ainda precisamos de muito mais. Mais qualificação para nossos professores! Por que não mestres e doutores em nossas escolas? Este estágio parece ser privilégio de alguns. Qualifiquem os professores, equipem as escolas, alimentem o povo e resolveremos muitos problemas!

Desculpem eu ser tão simplista assim, mas essa é a realidade. Por isso disse que é um problema que atinge todos os níveis de nossa sociedade. Já imaginou uma escola super-equipada, com professores doutores para dar aula, ônibus escolar de primeira para transporte dos alunos?

Mas os alunos chegam à escola, famintos, intimidados, surrados, violentados, drogados, sonolentos por passarem a noite em claro ouvindo a mãe sendo espancada pelo marido que chegou bêbado?

Não sou pessimista a ponto de não enxergar que estamos bem melhor do que há algum tempo, mas ainda aquém das propostas e possibilidades de uma nação como a nossa. Falta de tudo um pouco. Mas dando uma especial atenção para a educação, em todos os níveis, e considerando o nível básico como prioritário, colocando ali bons professores e bem pagos, a tendência é termos bons estudantes no ensino médio e universitário. Uma formação completa, que transcende ao intelectualismo, como diz White no texto abaixo:


“A verdadeira educação não desconhece o valor dos conhecimentos científicos ou aquisições literárias; mas acima da instrução aprecia a capacidade, acima da capacidade a bondade, e acima das aquisições intelectuais o caráter. O mundo não necessita tanto de homens de grande intelecto, como de nobre caráter. Necessita de homens em quem a habilidade é dirigida por princípios firmes. A formação do caráter é a obra mais importante que já foi confiada a seres humanos.” E. White. Educação, 225.

Paulo Ramos
Coordenador Geral do ARCRON



Baseado no texto de Renata Cafardo
Com colaboração de Patrícia Campos Melo
O Estadão – 05/12/2007

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Gratidão

Estamos vivendo mais um final de ano e nos preparando para algo que não sabemos bem o que é, mas é semelhante ao passar de uma sala para outra e quando passamos, fechamos a porta e ela nunca mais será aberta. Ficarão somente as lembranças.

Mas que tipo de lembranças? O que fica para trás? O que deixamos por trás da porta que fechamos? Como cristão sou exortado a cultivar o hábito da alegria, contentamento, gratidão e louvor. Mas sabemos que nem sempre é assim. Isso se torna fácil se passamos um ano relativamente tranqüilo, alcançando a maioria de nossos projetos de vida. Mas, e se as coisas foram totalmente o inverso, ou seja, morreu alguém querido da família, os negócios não deram certos, a família se desfez e por aí vai?

Pode parecer estranho para você, mas quando estamos na maior dificuldade é que precisamos aprender a agradecer, e cultivar os hábitos positivos que mencionei acima. Claro que isso não mudará o fato de que sua empresa faliu, ou que alguém querido faleceu, mas vai ajudar você a enfrentar todos estes desafios e muito mais!

Aprendi uma lição importante na semana passada, ou seja, “o louvor é a fé em ação”. E se isso tornar-se parte de minha vida, posso mudar a mim mesmo, posso conquistar os mais elevados sonhos! Paradoxalmente em uma vida cheia de contratempos, serei vencedor!

Existe um homem que admiro muito e ele também se chama Paulo. Você pode imaginar alguém em uma prisão hoje em dia? Cem homens onde só cabem dez. Olhamos os noticiários e vemos pessoas clamando por ajuda pois não suportam viver em situação sub humana. Fazem revezamento até para dormir. Imagina só colocar uma mulher aí nesse meio por alguns dias! Mas esta é outra história.

Se hoje é ruim, imagina como seria uma prisão romana há cerca de dois mil anos? Talvez um lugar úmido, insalubre, uma espécie de caverna com grades, sem ao menos ver a luz do sol ou sentir o seu calor. Ainda acorrentados, açoitados e, provavelmente, famintos.

Pois assim estava este homem, Paulo. Mas havia um detalhe que o diferenciava de tudo o que se pode imaginar de um prisioneiro nestas condições. Ele não estava deprimido, não se lamentava por superlotação, maus tratos, comida ruim ou por não ter seu tempinho exposto ao sol. Você sabe o que ele fazia nestas circunstâncias? Ele escrevia cartas de encorajamento para seus amigos. De onde este homem tirava força? Como ele poderia manifestar um espírito de alegria, regozijo e gratidão?

“Alegrai-vos comigo” era o que dizia. Este é um apelo sincero, para cada um de nós para sermos, no mínimo, otimistas. Toda essa força de Paulo vinha da certeza de que Deus estava com ele.

Temos a nossa frente um futuro e se temos um futuro com ele vem a esperança. Assim poderemos dizer que caminhamos para um novo ano com muito otimismo, mesmo sabendo que pelo caminho poderemos encontrar muitos espinhos, abismos, barreiras e até podemos descer ao vale da sombra da morte, mas nada disto se compara com a alegria de chegar até o final de mais uma etapa em nossa vida, ou seja, ao final de mais um ano.

Se olharmos mais para adiante, para os que crêem nas promessas de Deus, poderemos ver o peso da glória que nos aguarda bem a nossa frente. Por isso devemos caminhar por esta efêmera vida, a passos firmes, com louvor e gratidão em nosso coração.

Este é um período propício para meditar em nossa vida até aqui. Vitórias? Derrotas? Certamente muitos, por quês? Arrependimentos e lamentos. Mas não podemos nos esquecer que somos privilegiados por chegarmos até aqui. Você pode lembrar, agora mesmo, que muitos não conseguiram chegar até o final desta jornada. Será que eu ouvi um “muito obrigado”?

Sim, realmente esta é uma ocasião para reconhecimentos e agradecimentos! Você pode escolher: saúde, trabalho, amigos, família, vida, sonhos alcançados, entre outros.

Pena que nem todos pensam desta maneira. Para muitos, esta é uma ocasião somente para festas, presentes, bebedeiras e tudo mais.

O verdadeiro filho de Deus tem uma atitude diferente! E Deus não poderia esperar outra coisa dele.
Salmo 90:12“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” Ele espera que façamos uma reflexão do ano que passou.

No Salmo 116:12 vemos que ao meditarmos nas misericórdias e bênçãos recebidas do Senhor, a grande questão só poderia ser esta... “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?”

Daqui a alguns dias haverá muitas trocas de presentes em quase todo o mundo. Quero desafiar você a dar um presente a Deus, como forma de agradecimento, Prov. 23:26“O seu coração”, para que seus olhos se agradem dos caminhos do Senhor, os caminhos a percorrer em 2008.



Paulo Ramos
Coordenador do ARCRON

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Parece, mas não é!

Você já ouviu aquela frase: “parece, mas não é”? É possível que nunca tenha ouvido falar nisso, mas provavelmente já viu muitas coisas parecidas. O que mais nos chama a atenção são pessoas que dizem ser uma coisa, mas todos sabem que é uma outra completamente diferente. Isso mesmo! Todos sabem! Menos a própria pessoa, que acredita realmente no que pensa que é.

Está parecendo meio complicado? Mas deixa-me contar certa história que li em um livro muito especial. Um homem, não se sabe ao certo porque já que era muito querido por seus amigos, logo cedo, pela manhã “teve fome”. Alguns acreditam que ele passou a noite acordado fazendo o que mais gostava, ou seja, conversar com seu pai.

O fato é que cedo, estava com fome. Caminhando por uma estrada, viu que perto dali havia uma árvore frondosa, com muito verde, muito bonita e vistosa. Havia outras árvores ao longo da mesma estrada, mas esta era diferente era a única que apresentava muita folhagem, enquanto as demais estavam secas.

Era uma região interessante e com alguma superstição, já que as pessoas plantavam esta árvore a beira da estrada, pois pensavam que a poeira, quando absorvia a seiva que saía da planta, contribuía para uma boa produção de frutos. Esta árvore é bem curiosa, nós conhecemos como “figueira”, até temos um time de futebol em Florianópolis inspirado nela. É curiosa porque uma das suas características é que geralmente as folhas apareciam após a formação do fruto ou junto com eles. Mesmo não sendo época de figos, algumas árvores produziam fora da época certa.

Um homem faminto vendo uma árvore desta vai rapidamente a sua direção para desfrutar de alguns gostosos frutos logo pela manhã. Mas, a surpresa foi que esta árvore contrariou todas as expectativas. Era grande, vistosa, bonita, frondosa, aparentemente com muitos frutos, mas só havia folhas ali. Que decepção! Que tristeza!

Fazendo uma analogia desta árvore e o perfil das pessoas que vemos por aí, veremos que muitos, apenas vivem de aparências, não produzem frutos, mas estão carregados de folhas de pretensão e fingimento. Chamam a atenção por suas belas a abundantes folhagens. São árvores estéreis, com pretensiosos ramos, belos à vista, mas só produzindo folhas. Sem humildade, sem bondade, sem amor.


Esta bela árvore prometia frutos de bom tamanho. Quero lembrar que havia outras árvores, porém não tinham folhas, assim, ninguém poderia esperar que elas dessem algum fruto. O que se poderia cobrar destas árvores? Nada!

Esta breve história nos diz mais algumas coisas, ou seja, sempre vamos esperar que aqueles que “produzem folhas”, também “produzam frutos”. Ficamos tremendamente decepcionados, frustrados em relação às pessoas que apenas apresentam “folhas”. São pessoas sem vida, vivendo de aparências, ortodoxias, tradicionalismos sem sentido, com absoluta falta de amor pelas pessoas. E, para aqueles que são cristãos, ainda há o fato de que não demonstram amor a Deus.

A figueira que não dá frutos, logo perde suas folhas. Assim são aqueles que podem parecer um tipo ideal de pessoa ou mesmo bom cristão por algum tempo, mas assim como as folhas caem, sua máscara vai desaparecendo e manifesta-se seu verdadeiro caráter. Quanta decepção! Apenas formalismo frio!

De todos os defeitos, não há nenhum que seja mais ofensivo para Jesus do que a hipocrisia. Foi o que Ele mais combateu em Seu tempo.
Sim, esta história se passou com Jesus, e sabe o que aconteceu com a figueira? Foi amaldiçoada e secou. Aqui está outra lição, uma parábola que dramatiza o juízo de Deus contra uma vida estéril.

Este ato de Cristo amaldiçoar a figueira surpreendeu os apóstolos. Era diferente de tudo o que Jesus havia feito ou era. Sabiam que Ele não veio para condenar o mundo, mas que por meio dEle, o mundo pudesse ser salvo.

Sempre O viram restaurando, nunca destruindo. Jesus era o restaurador, o médico. Mas, e isso agora? Mais uma verdade para não nos esquecermos: Deus é amor, mas também é justiça. Ninguém vive a Palavra sem servir aos outros. Alguns se julgam excelentes pessoas, mas não sabem o que é servir.

Sempre teremos a oportunidade de sermos pessoas verdadeiras e honradas, porém estas oportunidades cessam a certo tempo. E o resultado disso é um coração endurecido, o qual não dará ouvido a qualquer voz de advertência.

Vivemos em um tempo realmente difícil e necessitamos produzir “frutos” nesta vida, bons e muitos frutos, pois em algum momento seremos cobrados por isso. Seremos verdadeiros ou viveremos de aparências? Vitoriosos ou perdedores? Cabe a cada um de nós decidirmos.

Paulo Ramos
Coordenador do ARCRON


Baseado nos seguintes textos da Bíblia:
Mateus 21:18-19 e Marcos 11: 12-14.

Também baseado no livro:
O Desejado de Todas as Nações
Autora: Ellen G. White
Editora: Casa Publicadora Brasileira
Páginas: 558, 559, 560 e 561.