Quando eu fazia alguns cursos em Brasília, sobre prevenção ao uso de drogas, ouvi a história de uma jovem cristã, de boa formação e caráter. Ela foi a uma festa de jovens com uma amiga e ali conheceu um jovem que ofereceu a ela um copo de refrigerante.Só que nesse copo de refrigerante havia uma substância tóxica, a qual não lembro seu nome no momento, mas que fez a jovem ficar dopada e não ter consciência de nada. Ao amanhecer, ela se vê só em uma cama de motel. Tenta entender o que houve e liga para seu pai. O diálogo foi mais ou menos assim:
- Pai, vem me buscar!
- Onde você está?
- Estou em um motel.
- O que você está fazendo aí?
- Eu não sei. Traga dinheiro para pagar a conta.
É possível que houvesse um tempo em que os pais depositavam na igreja e em sua membresia uma confiança tal qual uma família, e julgavam que ali todos estavam protegidos do “mundo externo”.
Parece que já entendemos que a igreja não é uma redoma de vidro, onde podemos dizer que nada poderá nos atingir. Nunca sabemos o que vem pela frente, mas o fato é que precisamos entender que isso só serve para nos apegarmos mais a fé e aos princípios, bem como ter todo o cuidado com “lobos em pele de cordeiro.”
O problema é fazer a juventude entender e enxergar os perigos da vida. Ouvir conselhos é algo que não parece ser importante para aqueles que em certa fase de sua existência pensam que a juventude jamais acabará, ou pelo menos é essa a impressão que passam em suas atitudes. Estão sempre acreditando que a saúde e as oportunidades nunca faltarão.Se você olhar para o mundo e nossa juventude hoje, infelizmente vemos que alguns descobrem que essas são, em realidade, falsas verdades, da forma mais difícil e dolorosa. Esse desejo de liberdade, o qual arde no coração humano e como revolução social, já vemos desde a década de 60, e torna-se às vezes uma procura louca e sem sentido, sendo a juventude o mais forte propagador deste estilo de vida totalmente “descompromissado”, já que o conceito de liberdade merece aqui uma séria consideração, o que faremos em outro momento.
Mas vemos claramente que esta liberdade é a busca por um mundo sem barreiras, sem qualquer tipo de proibição, sem limites. Conhecer tudo e obter diversificadas experiências se torna quase que uma obrigação cultural. Mesmo que as coisas sejam de grandes prejuízos pessoais e estes atinjam os que estão a sua volta, o que vale é a experiência.
Torna-se intenso o espírito questionador, oposicionista pois dizem que a juventude sadia, moderna e inteligente é assim. A juventude diz “Não as drogas”, porém esta mesma juventude pede a liberação da mesma. Pedem que confiem neles em algumas questões importantes como participar ativamente da política com direito a voto, já aos 16 anos (conquistado há algum tempo) e dirigir legalmente com a mesma idade (ainda em discussão), mas não querem assumir qualquer responsabilidade, dizendo que não possuem maturidade para assumir as conseqüências judiciais quando cometem algum delito.
Drogas lícitas e ilícitas, sexo livre, entre outras coisas já provaram não ser o melhor caminho como manifestação de desenvolvimento e liberdade em alguns países. Mas, a juventude acostumou-se com a luta e o “ideal” de liberdade. Mesmo que alguém, que já trilhou este mesmo caminho, cometeu estes mesmos erros, os aconselhe e aponte para onde ir sem muitos “arranhões”, dizem que gostariam de experimentar por si mesmo, ignorando a sabedoria e o histórico de vida de pessoas com mais idade.Parece que as coisas fora do “mundo religioso, ético e moral” (outra discussão boa, mas não agora), eu me refiro, “fora da igreja” (supondo aquilo que deveria ser, ou seja, encontrar religiosidade, ética e moral dentro das igrejas – confesso que estou muito preocupado quanto a isso), tornam-se muito mais atrativas e até irresistíveis, sem preconceitos, sem limites, em fim, totalmente livre.
Quero também afirmar que esta não é uma verdade absoluta, nem poderia ser em se tratando de pessoas. Assim, temos muitos jovens que lutam para uma mudança positiva nestes aspectos da vida, principalmente jovens com um compromisso sério com Deus.
Porém, temos aqueles que acreditam que esse negócio de Deus e igreja é ter uma vida de tabus e proibições, tolhendo a liberdade da qual não conquistaram e receberam, totalmente deturpada de seu mais nobre e verdadeiro sentido. Assim, as famílias de hoje são compostas de pessoas estranhas, umas com as outras em uma mesma casa. Não é sem motivo o alto índice de depressão, sentimento de solidão, abandono e suicídio em meio aos mais jovens.Não conhecer o Deus Criador nos pode fazer entender de forma distorcida o seu amor. Seria como você ouvir uma forte fofoca de alguém e ter um conceito altamente negativo da pessoa sem ao menos conhece-la, sem ouvi-la, a partir desta mesma fofoca. O fofoqueiro da vez, os cristãos sabem quem é.
Deus não só nos ama mas também nos respeita e junto a esse maravilhoso dom da vida Ele nos concede o dom da liberdade. Interessante isso, pois dá a impressão que algumas lutas por “liberdade” foram, na verdade, lutas por algo já nos presenteado pelo Criador e, por mais estranho que pareça, muitas dessas lutas por liberdade foram apenas lutas em prol da escravidão.
Se tem algo que a religião não faz é formar uma pessoa sem liberdade, sem personalidade e subjugada. Se tem algo que a religião faz é tornar as pessoas livres.
Estatisticamente sabe-se que entre 12 e 18 anos, é uma fase de grandes decisões na vida, e infelizmente é nesta fase onde a juventude mais abandona sua relação com Deus e a religião. Isso avança para o âmbito familiar, fazendo com que muitos desses jovens cheguem a abandonar o lar, com o ambicioso e quase sempre frustrante sonho de uma vida livre.
Nesse momento acabam ingressando em pequenos grupos, ou se preferir, em gangues, cujo cerimonial de ingresso inclui sexo, drogas, promiscuidade, roubos, e o que se imaginar. Cria-se um novo circulo de amizades. Nesse envolvimento, com os “novos amigos” e longe da família, a liberdade se transforma em escravidão.A grande verdade é que o jovem nunca quer ser diferente do grupo. Ele tem medo disso, é uma fase difícil, de dúvidas, de auto-afirmação. E como evitar isso?
Existem quatro coisas simples de serem realizadas a fim de evitar que o jovem se envolva ou seja escravo dessa falsa liberdade:
1. É bom que todos os pais tire da cabeça que nada poderá acontecer com seu filho ou filha. Ao admitir a possibilidade de algo neste sentido, os pais se preparam; buscam meios para prevenção.
2. Seja amigo(a) de seu filho ou sua filha. Tenha liberdade para conversar todos os assuntos com ele(a); drogas, sexo, homossexualismo, família, namoro e outros assuntos importantes para sua formação.
Muitos jovens não conversam com seus pais pois temem a repreensão ou qualquer outra reação negativa, já que um questionamento neste sentido poderá ser interpretado como uma confissão de uso ou ato, mesmo que nada tenha acontecido.
Tem os jovens de nossos dias essa abertura com seus pais, ou seja, falar sobre qualquer assunto, a fim de tirar todas as suas dúvidas? Muitos diriam que estamos em um tempo em que todas as informações estão a um apertar de botões e que as famílias promovem um diálogo aberto com toda a liberdade de ação para os filhos. Isso não é verdade! Esta é a intenção desta nossa sociedade pós-moderna, porém a liberdade que oferecem é a mesma que torna a juventude escreva de suas próprias ações.
A verdadeira conversa com os pais vai promover a certeza de que alguém se importa e dará as informações que o jovem necessita, caso contrário procurará as informações com os colegas, na rua.
3. Informação. Uma outra realidade é que os pais, de maneira geral não têm informações para passar a seu filho. Não lêem, não assistem palestras ou programas relacionados a esses temas. Preferem investir em TV, vídeo, jogos, do que investir na formação do próprio filho.
4. Religião. Esta relação eu peguei quando fiz um curso pelo Conselho Federal de Entorpecentes, em Brasília. E, segundo o palestrante, esta é uma lista dada pela Organização Mundial da Saúde. O que me chama a atenção é esse fator Religião. Por que é importante Religião? Acreditam que ela estabelece os fundamentos ou pilares morais: Caráter, Família, Casamento.
Afirmam, também, que a religião estabelece a auto-estima, ou seja, o jovem descobre que Deus o ama, então passa a gostar de si próprio e assim de outras pessoas. Veja, por exemplo, o usuário de drogas, acaba sem auto-estima. Por conta disso, não gosta dele mesmo, de ninguém a sua volta, e isso justifica roubos em sua própria casa para sustentar o vício.
Uma pesquisa feita em uma das favelas no Rio de Janeiro, mostra que 81% das pessoas que se envolvem com drogas, não têm religião ou não a praticam, quando afirmam ter uma.
Realmente temos muita liberdade, somos livres para escolher, para optar, para decidir e este bendito dom, tem sido uma maldição para muitas pessoas.
Este assunto é muito extenso e poderíamos escrever várias páginas a respeito, detalhando este e outros aspectos problemáticos da vida cotidiana e principalmente de nossa juventude, como os namoros, sexo no casamento e fora dele, homo sexualismo, masturbação, novelas e filmes que ensinam a fazer tudo isso, músicas que fazem a mesma apologia, etc.
Você quer liberdade? Leia o que diz Jesus: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32. Ela [a verdade] está lá, a sua disposição. Conheça a “pessoa” verdade e seja livre!
Paulo Ramos
Coordenador Geral do Arcron
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