quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Ciência Ganhou a Guerra?

Medicina, comunicações eletrônicas, viagens espaciais, manipulação genética, estes são os milagres sobre os quais agora falamos às nossas crianças. Estes são os milagres que alardeamos como prova de que a ciência nos trará as respostas. As historiais antigas como criação, dilúvio, nascimento virginal e mares se abrindo não são mais relevantes. Deus ficou obsoleto. A ciência venceu a batalha. Mas a vitória da ciência nos custou caro. Custou muito caro para cada um de nós.

A ciência pode ter aliviado os sofrimentos das doenças e dos trabalhos enfadonhos e fatigantes, pode ter proporcionado uma série de aparelhos engenhosos para nossa convivência e distração, mas deixou-nos em um mundo sem deslumbramento. Nossos crepúsculos foram reduzidos a comprimentos de ondas e freqüências. As complexidades do universo foram desmembradas em equações matemáticas. Até nosso amor próprio de seres humanos foi destruído. A ciência proclama que o planeta Terra e seus habitantes é um cisco insignificante, um acidente cósmico.

Até a tecnologia que promete nos unir, ao contrário, só nos divide. Cada um de nós está hoje eletronicamente conectado ao globo inteiro e, entretanto, todos nos sentimos sós. Somos bombardeados pela violência, pela divisão, pela desintegração e pela traição. O ceticismo passou a ser uma virtude. O cinismo e a exigência de provas para tudo converteram-se em pensamento esclarecido. Alguém ainda se admira que as pessoas hoje se sintam mais deprimidas e derrotadas do que em qualquer outra ocasião da história do homem? Será que existe alguma coisa que a ciência considere sagrada? A ciência procura despedaça e reorganiza o DNA, transforma nosso mundo em parcelas cada vez menores em busca de conhecimento e só encontra mais perguntas.

A velha guerra travada entrre ciência e religião está acabada, embora não devesse ser uma guerra e sim uma união de forças , para explicar e sustentar a cada uma dentro de sua esfera de atividade. Mas a ciência não venceu esta guerra honestamente. A ciência não forneceu respostas, redirecionou nossa sociedade de tal forma que as verdades que outrora eram diretrizes agora parecem inaplicáveis. Levamos séculos para sair da roda e chegar no automóvel . E apenas décadas do carro para o espaço. Atualmente calculamos o crescimento científico por semana. Estamos girando fora de controle, á religião vai ficando para trás, as pessoas se vêem em um vazio espiritual. Imploramos pelo sentido das coisas.

Vemos OVNIs, freqüentamos médiuns, buscamos contato com os espíritos, experiências extracorpóreas, uso do poder mental – todas essas idéias excêntricas têm um verniz científico, mas são descaradamente irracionais. São o grito desesperado da alma moderna, solitária e atormentada, deformada por seu próprio esclarecimento e por sua incapacidade de aceitar que haja sentido em qualquer coisa que seja estranha à tecnologia.


Dizem que a ciência é o único caminho para o esclarecimento do homem, mas em parte ela nos destruiu. As promessas da ciência de simplicidade e eficiência não foram mantidas, resultaram em poluição e caos. Somos uma espécie despedaçada e frenética, seguindo um caminho que leva à destruição.

Quem é esse deus-ciência? Quem é esse deus que oferece poder ao povo, mas nenhuma estrutura moral para lhe dizer como usar esse poder? Que tipo de deus dá fogo a uma criança, mas não a avisa sobre seus perigos? A linguagem da ciência não vem com diretrizes sobre o bem e o mal. Os livros científicos explicam-nos como criar uma reação nuclear, mas não tem nenhum capítulo discutindo se é uma boa ou má idéia.

A religião esta cansada de tentar ser uma diretriz para o mundo uma voz de equilíbrio. Enquanto o homem corre em busca do menor chip e lucros maiores. Nem perguntamos por que vocês não se controlam, pois como poderiam? Seu mundo anda tão depressa que, se pararem por um instante que seja para refletir sobre as implicações de seus atos, alguém mais eficiente pode ultrapassá-los em um piscar de olhos. Por isso vocês vão em frente. Promovem o aumento de armas de destruição em massa, clonam animais vivos, mas não falam das implicações morais desses atos. Alardeiam somente o avanço que isso poderá trazer a humanidade. A religião tenta mostrar que tudo tem implicações morais em nossa vida e é acusada de ignorância e superstição.
Incentivam as pessoas a interagir através de telefones, telas de vídeo e computadores, mas é a igreja que abre as portas e nos lembra de comungar aqui no mundo real com nosso Deus.

Quem é mais ignorante porém? O homem que não sabe definir o raio que cai durante uma tempestade ou o que não respeita seu poder admirável?

Quanto mais a religião tenta chegar até a humanidade mais é repelida. Mostrem-nos uma prova da existência de Deus dizem.

E eu respondo, usem seus telescópios para olhar o céu e me digam como é possível não haver Deus! Não podem ver Deus em sua ciência? Como podem deixar de vê-lo! A ciência proclama que a menor alteração na força da gravidade ou no peso de um átomo teria convertido nosso universo em uma névoa sem vida, em vez de ver a mão de Deus nisso? Será que é mesmo tão mais fácil acreditar que escolhemos a carta certa em um baralho em que há bilhões delas?
Será que estamos tão falidos espiritualmente que preferimos acreditar numa impossibilidade matemática e não em um poder maior do que nós?

Se acreditamos ou não em Deus temos de acreditar nisso: quando nós, como espécie, abandonamos a confiança em um poder maior do que nós, abandonamos também nossa noção de obrigatoriedade de prestar contas. A fé, todas as formas de fé, são advertências de que existe algo que não podemos compreender, algo a que temos de responder. Com fé, prestamos contas uns aos outros, a nós mesmos e a uma verdade maior. A religião é falha, mas só porque o homem é falho.

Será que a religião é obsoleta? Será que o mundo precisa de uma voz para os pobres, os fracos, os oprimidos e para as crianças que ainda não nasceram? Será que o mundo precisa de almas religiosas, que embora imperfeitas, passam a vida nos implorando para seguirmos as diretrizes da moralidade e não nos extraviarmos de nosso caminho?

José Adriano Amaral Wolff
Teólogo - Colaborador do ARCRON

Livre adaptação das pags. 314 – 318,
Capítulo 94 do Livro Anjos e Demônios
de Dan Brown

1 comentários:

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