segunda-feira, 28 de julho de 2008

Lutando Contra a Frustração

Estou muito cansado ultimamente e um pouco frustrado. Esta frustração é quase tida como comum, não fosse o ideal de vida pretendido por Deus a cada um de nós. Você poderia dizer que no mundo tal como está é normal, com suas lutas, violências, derrotas, vitórias e por aí a fora. Não creio que isso seja normal! Vivemos constantemente frustrados com tudo e principalmente com as pessoas (mesmo as anônimas) e esta frustração se dá em todos os níveis de nossa sociedade.


Pensamos que pessoas esclarecidas, bem educadas, líderes da sociedade, religiosas (alguns até líderes religiosos), seriam diferentes e para fazer a diferença. Mas, nos frustramos quando vemos muitas dessas pessoas fazendo o contrário de nossas expectativas. Que frustração! Não se pode confiar em ninguém! Até o Papa está pedindo desculpas pelas atitudes de homens que deveriam estar defendendo o bem estar da sociedade. Homens que deveriam estar acima de qualquer suspeita, são protagonistas de muitas ações hediondas que vemos quase que diariamente.

Alguma coisa está errada! Quando um craque de futebol faz jogadas espetaculares, que extraem aplausos de todos e nos admiramos de sua habilidade, dizem que ele é um animal e está possuído, ou melhor, “está como o diabo gosta”. Praticamente todos gostam deste tipo de comparação, pois se tornou algo positivo. Outros ainda são: “matador”, “carrasco”, “badboy”, “infernizador”, “terror”. E a torcida, a que rotula estes “artistas”, não deixa por menos e vemos as barbarias que andaram acontecendo por aí.

Tomei o futebol como exemplo, como poderia ter citado outros momentos de nossa vida. O fato é que algumas coisas que em sua semântica seria algo ruim passa a ser sinônimo de algo bom e, me parece que, isso acontece por nos habituarmos com este estado de coisas. Quando eu era muito jovem, talvez tivesse cerca de 10 anos eu vi uma reportagem em nosso mais famoso noticiário, onde mostrou um jornalista sendo assassinado. Ele foi colocado deitado no chão e um soldado encostou o cano do fuzil em suas costas e disparou. Aquilo foi chocante! Tão traumático que eu lembro com perfeição, da cena, até hoje. Em meu pensamento juvenil eu tentava explicar para mim mesmo o porquê desse impacto em minha mente, já que eu assistia muito “bang-bang”, filmes de guerras, e assim, de certa forma já havia visto muitas mortes. Mas, a resposta para mim mesmo era: “Aquilo era de verdade”.

O que está acontecendo conosco neste início de milênio é “de verdade”. Estamos perdendo a noção dos fatos e cauterizando nossa mente assistindo, muitas vezes ao vivo, o que está acontecendo “de verdade” em nossas vidas. Já não nos importamos muito com o que está acontecendo e achamos tudo muito natural. Já aceitamos atitudes como assassinatos, roubos, corrupção, infidelidade, rebeldias, como algo comum. Já não reagimos mais e não nos importamos. Vemos alguns atos isolados, como recentemente a família de uma jovem engenheira assassinada no Rio, tentou realizar, mas só apareceram 50 pessoas. Talvez em outros tempos aparecessem mais de mil. Mas hoje apenas “50 pessoas” e já é notícia em jornal.

É... estou frustrado com algumas coisas, principalmente por me sentir impotente diante de tanta coisa para ser mudada. Não quero ser mais um! Quero fazer a diferença, quero contribuir positivamente para com meu semelhante e gostaria de influenciar muitos a fazerem o mesmo. Será que dá para entender minha preocupação? Eu acredito e sonho com dias melhores ou pelo menos com vidas melhores e se eu puder fazer parte deste ideal de vida de alguém, ficarei muito feliz.

Uma jovem me escreveu algo que guardo com muito carinho e me dá forças para continuar acreditando. Resumindo, ela disse: “Obrigado, pois o senhor salvou a minha vida!” Você já ouviu algo semelhante? É possível que sim. A sensação é maravilhosa, sensação de dever cumprido. Isso me motiva a fazer ainda mais.

Eu sei que você também pode estar meio desacreditado no ser humano, mas creia que é possível mudarmos alguma coisa, pela graça de Deus. Estou lutando contra a frustração, estou lutando para nunca deixar de acreditar. Faça o mesmo e certamente teremos muito mais prazer e alegria nesta vida do que alguém poderia imaginar. Que Deus te abençoe e te guarde!



Pr. Paulo Ramos
Coordenador Geral - ARCRON

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