segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Recordar é Viver

Alguns preferem dizer que recordar é sofrer duas vezes. Discordo plenamente. Na vida temos que ter Passado, Presente e Futuro. O passado é para recordar e não para se lamentar. O presente é para se viver intensamente e o futuro é uma incógnita que só Deus pertence. Lutamos no presente buscando um futuro melhor.
Dizem que ninguém vive do passado. Eu por exemplo penso no futuro, mas busco grande parte de minha inspiração no passado, sem esquecer o presente. Por algum motivo que Ele sabe qual é o meu presente é meio estagnado.

Não tenho uma boa vida, todavia garanto que não vivo mal, tem gente que mesmo com muito dinheiro vive bem pior, garanto. A vida deu-me um limão, mas misturei com água e açúcar e umas pedrinhas de gelo e fiz uma bela limonada. Poderia ser um pouco melhor, se não fosse o irracionalismo do governo Lula, que não sabe o quanto é doida a injustiça de um governo incompetente, incapaz de enxergar a diferença de um aposentado que sempre contribui com a Previdência pagando seu INSS pelo teto e hoje vê sua aposentadoria ser achatada cada vez que há o aumento do mínimo na base de 15% e os aposentados que ganham mais que o mínimo ter um irrisório aumento de 5%.

O Lula não é culpado disso. Ele era um “quase” Anarfa, maior de idade, e foi candidato, podia voltar e ser votado. Foi. Portanto... Por incrível que pareça não estou para criticar ou elogiar ninguém, até acho que o Lula está sendo melhor que eu esperava.

Todos nós nascemos e só decidimos o que queremos fazer na vida bem mais tarde. Veja o Agnaldo Timóteo, gostava de cantar, foi motorista da Ângela Maria até surgir a oportunidade de ser cantor. O Dalvan da ex-dupla Duduca e Dalvan eram dois pintores de paredes apaixonados por música. O Duduca morreu cedo, mas ficou o Dalvan fazendo sucesso. Hoje ele é formado em Direito, mas continua cantando.

O Raul Gil trabalhava na Empresa de Transportes Londrino – era meu colega, gostava de cantar e começou na vida artística como imitador e humorista até descobrir a sua real vocação: Apresentador. Estou falando, ou melhor, escrevendo de gente com mais idade porque eu também sou de mais idade, não conheço essa garotada que está surgindo agora e fazendo sucesso, é uma nova geração de Franciscos Alves, Carlos Galhardos, Ivans Curys, Nelsons Gonçalves, Dalvas de Oliveira, que está surgindo agora e que por certo outros Enios viverão para falar deles.

O que não estão surgindo são orquestras como Mantovani, George Melachrino, Morton Goud, Orquestra Casamatta, Sylvio Mazzucca, Maurice Jarre, Românticos de Cuba, André Penazzi, Lafayette Ketelbey, Eddie Galvert, Don Euclydes, Paul Mautiat, Billy Vaughn e tantas outras que hoje é apenas saudade. Saudade do tempo que passou, ficou bem longe mas não traz apenas melancolia, traz também a recordação de um tempo em que a felicidade custava menos.

Aproveitei bem e fui feliz dentro do possível. Aproveitei tanto que hoje tenho recordação sem ter tristeza. Parece um paraíso, mas posso afirmar com todas as letras que não é, é sim um novo modo de viver mais uma vez o que já vivi. Às vezes tenho uns lampejos de preocupação com o amanhã. É coisa momentânea, pois não tenho tudo o que quero, mas quero tudo o que tenho. Por outro lado, mesmo não sendo muito inteligente, sei que na vida a única coisa certa é a morte. Triste, mas é certo. Talvez esteja falando a convicção plena da vida junto ao Pai eterno. Ainda bem que é coisa de momento. Depois eu paro alguns segundos e volto à realidade, e deixo o amanhã por conta de quem tem de se preocupar com isso.

Conforme eu mesmo escrevi é apenas um lampejo. Até hoje a vida seguiu seu curso normal. Por que iria mudar agora? Nada disso, vou apenas continuar pensando como sempre pensei, ou seja, recordar é viver a vida intensamente.

Sou aposentado, ganho mais que o salário mínimo. E daí? O Lula não vai governar eternamente, e nem eu viverei para sempre. Tudo certo, 2+2 são 4.
Enio Campos
Jornalista - Reside em Serra Negra / SP

Os Programas da TV

Não sei se devidamente combinado, coincidência ou pura falta de imaginação, o fato é que a tv aberta ultimamente tem sido uma droga. Basta um canal lançar um determinado programa e atinja uma certa audiência e os outros canais descaradamente lançam outro igualzinho. Honestamente não dá para saber quem copia quem. Seria preciso acompanhar todos os canais diariamente e eu não tenho saco para isso. É falta inteligência ou muito, comodismo?

São Pedro ultimamente tem “convocado” muita gente de rádio e tv e não tem havido uma reposição a altura. Até pouco tempo, tínhamos o programa Netinho na TV Record com um bom nível de audiência. O programa não era nenhuma BRASTEMP, mas estava dando ibope. Se o povo gosta de desgraça para que contrariar o povo? Desgraça nele, ora bolas. De uma hora para outra sumiu o programa de Netinho, acabaram-se as princesas. Alguém deve comentar o assunto, eu é que não leio essas revistas de fofocas. Não demorou muito e a TV descobriu que explorar a miséria alheia continuava dando ibope.

O programa Domingo Legal lançou o programa de volta para minha terra. O nortista ou nordestino que veio para São Paulo com intenção de ficar rico, descobriu que não era bem isso. Focinho de porco não era tomado de energia elétrica. Quanto mais desgraça, melhor. O Gugú leva o coitado de volta para sua terrinha, de avião e ainda lhe dá cesta por um ano, mobilia sua casa no local de onde nunca deveria ter saído. Audiência garantida.

A Record tirou o repórter nordestino que fazia a matéria, e lançou um programa diariamente pela Record. Matéria prima não fala. Ficou provado o que o grande filósofo Chacrinha dizia “na TV nada se cria e tudo se copia”.

O Luciano Huck descobriu o lata velha que reforma os carros, e a Casa Velha que reforma a casa dos telespectadores, fazendo verdadeiros milagres. Deu certo o esquema. Na maior cara dura, e no mesmo esquema, o Gugu Liberato também começou a reformar as casas daqueles que escreviam para o programa, sempre quanto mais desgraça, melhor.

Hoje todos os canais de TV exploram esse esquema. Não é salvaguardado o direito de imagem? Não existem direitos autorais para esses casos? Antigamente se a lei não dava algum direito ao idealizador, havia pelo menos o “simancol” e o direito era mais ou menos respeitado, o que não tem acontecido. A TV virou terra de ninguém. Um programa lança uma idéia e se der certo, outro lado segue o mesmo esquema.

Ainda temos uma inteligência como Chico Anísio, Arnoud Rodrigues, Moacir Franco, mais eles estão jogados para escanteio. Para que usar a inteligência própria se é mais fácil copiar? Cadê a reposição de Ronald Golias, Nair Belo, Costinha, Pagano Sobrinho. Programa humorístico para polarizar a atenção do homem é fácil. A atriz boa, com pouca roupa é tudo que precisa para chamar a atenção do homem. Da mulher é um pouco mais difícil. A mulher é um pouco mais exigente que o homem; ela exige um pouco mais que uma carinha bonita.

Para você ver que caminho estamos trilhando, basta ver a imbecilidade que fica no ar por quase três meses pela Globo, o tal de BBB, faturando os tubos. Aquilo é uma mina de dinheiro. E eles estão errados? Não, estão absolutamente certos. Eles estão onde o dinheiro está. Até o Silvio Santos anda nessa cola. O Sistema Brasileiro de Televisão, de vez em quando coloca no ar coisa idêntica, não é verdade? Está muito fraca a nossa TV, é falta de talentos ou esses talentos custam muito caro? Desculpem esse trocadilho, mais o certo é que nossa TV “tá lenta”. Talvez tenha melhor na TV paga, não sei por que nunca fui assinante.

Na parabólica não é melhor, tem uns produtos milagreiros que alugam o espaço por hora e tome-lhe propaganda. Se eu fosse médico, entraria com uma medida judicial contra esses remédios que fazem emagrecer de uma semana para outra. Só é obeso quem quer, a solução está na cara, é só fazer exercícios 15 minutos por dia e adeus gordurinha. A Anatel devia observar isso (e outras coisas). A igreja já não tem mais a sua finalidade, a TV resolve tudo.


Enio Campos
Jornalista - Reside em Serra Negra / SP

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais Leve

Na Bíblia encontramos um texto onde Jesus fala de algumas pessoas que enxergam defeitos em outras, mas não conseguem ver o que acontece consigo. Parece um pouco da minha história recente, onde eu não conseguia ver o que estava acontecendo com aquele reflexo no espelho, a minha frente, todos os dias. Hoje é difícil de eu crer no que vejo e graças a Deus por poder ver!

Mas, o que eu não enxergava? Não conseguia ver um homem com mais de 122 kg. Você pode imaginar que uma pessoa deste tamanho não é alguém difícil de ser notado. O que realmente eu não via era justamente o “tamanho”.

Ao final do último ano, depois de muitos alertas de minha esposa e filhas, decidi, não pelo que eu estava vendo, pois aquele reflexo corpulento estava apenas fofinho, mas porque eu não estava dormindo bem, com apnéia do sono, roncando como um trovão (dizem, pois eu não ouvia nada, exceto algumas vezes que acordava com certo barulho e desconfiado do que poderia ser) e o pior de tudo, o fato de eu constantemente ter a sensação de que estava morrendo e acordar assustado. Decidi que alguma coisa deveria ser feita.

Assim, como um bom conhecedor da área do fitness, já que sou formado e pós-graduado em Educação Física, com vários cursos na área de ginástica aeróbica, personal training, musculação, entre outros (acredite se quiser) dei início a mudança.

Neste caso todos precisam começar pelo consultório médico. Depois de alguns exames cardiológicos o médico constatou que meu coração estava ótimo e sem qualquer alteração na pressão. Mas, quando olhou o exame de sangue, percebeu que eu já estava diabético, o colesterol não pode nem ser avaliado no exame pois o índice de triglicerídeos estava tão alto que prejudicou este exame, havia chegado ao extraordinário índice de 1.222, quando o máximo aceitável é 190-200.

O médico aconselhou iniciar uma mudança em minha vida imediatamente, aproveitando que não havia nenhum problema com pressão ou coração, sob pena de ter algo gravíssimo nos anos seguintes. Então me encaminhou para a endocrinologista.

A médica ficou muito assustada com o triglicerídeo. Receitou-me remédios para baixar o diabetes e o triglicerídeo. Deu mais algumas orientações, passou uma bela dieta, um moderador de apetite e perguntou se eu teria alguma dificuldade em executar o que havíamos planejado. Respondi a ela que não teria problema nenhum e aceitei o desafio. Assim, me despedi da pizza, dos pastéis, dos refrigerantes e de outros quitutes mais (eu os comi com tristeza pois já sentia saudades).

Cerca de dez dias depois, em pleno tratamento, fiz outro exame de sangue e constatou-se que não havia mais nenhum problema dos visto anteriormente. O médico falou que era o efeito dos remédios. Agora restava a batalha contra a obesidade. Neste mesmo exame foi avaliado meu peso e deu uma diferença para menos, acreditei que poderia ser problema com a balança, mas era realmente o efeito do novo hábito alimentar e as raras caminhadas que foram feitas. Neste momento senti muita força para continuar o processo já que vi resultados positivos.

Algumas pessoas me falavam que eu estava mais magro, mas eu ainda não percebia os efeitos, embora a balança estava me informando sobre redução acelerada do peso. Algumas roupas começaram a ficar folgadas levemente e um ou outro ponto na sinta teve que ser apertado.

Três meses depois eu já havia registrado um grande avanço, embora ainda não percebia claramente aquela figura no espelho mais magra. Foi assistindo um programa de televisão que me deixou muito animado para prosseguir. O tema era “redução de estômago”. Vi uma reportagem sobre uma jovem com cerca de 19 anos, obesa e batalhando por uma cirurgia onde reduziria seu estômago, pois sonhava em ter uma vida diferente e realizar seu sonho que era ir de biquíni à praia. Ela conseguiu o que queria e filmaram os momentos antes da tal cirurgia.
Três meses depois, a reportagem vai ao encontro dela na praia, a encontra de biquíni e feliz da vida pelo fato de ter perdido 18 kg, embora ainda estivesse gorda. Neste momento fiquei mais feliz que esta jovem pois não precisei passar pelo risco de uma cirurgia, mutilar meu corpo, ser dependente de medicamentos o resto da vida, podendo ainda ter graves complicações no futuro e com grandes possibilidades de voltar a engordar, e eu já havia perdido neste mesmo período 21 kg. Só precisei mudar alguns hábitos.

A partir daí eu já começava a enxergar outra pessoa no reflexo do espelho. Cinco meses depois do início da mudança 25 Kg haviam sido perdidos. Tive alguns problemas com minhas roupas, mudei de cinto pois o que eu utilizava havia acabado os furos, minha aliança foi do número 27 para o número 22, comecei a utilizar algumas roupas que já não as via há mais de cinco anos, já era possível cortar as unhas do pé, amarrar os sapatos com tranqüilidade, dormir melhor, em fim, a ponto de algumas pessoas não me reconhecerem.
Muitos me perguntam qual o segredo e a resposta é uma só: “não existe segredo, é tudo aquilo que você já sabe mas que não coloca em prática”. Isso mesmo, alimentação simples e saudável, com muitas frutas, verduras, legumes, grãos, exercício físico e outros remédios naturais como sol, ar puro, água pura, equilíbrio (temperança) e confiança no poder de Deus. Ainda como algumas fatias de pizzas, mas em ocasiões especiais, não como mais uma pizza inteira. Evito muito o açúcar, amidos e comer em grande quantidade.

Minha meta é chegar a 80 kg até o final deste ano. Sei que não será fácil mas estou determinado a chegar lá. Se eu conseguir este peso, volto a escrever sobre como perdi 42 kg em 11 meses.

Paulo Ramos
Coordenador do ARCRON