segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Jornalista Sem Diploma

É a nova lei. De hoje jornalista não precisa de diploma. É uma categoria comum. Aliás, essa não é a primeira “facada” que eu sofro como jornalista. Nos anos 70 (não sei precisar bem a Data) houve uma modificação na previdência e o jornalista deixou de ter aposentadoria especial, passou a fazer parte comum da previdência recebendo suas aposentadorias como um trabalhador normal, sem levar em consideração o ensino superior.

Na época, foi um protesto geral, depois as coisas acalmou e lei é lei. Lei não se discute, cumpra-se. Agora veio a segunda “facada”. Não precisa ter faculdade pra ser jornalista.

É como se eu Deputado/Senador não precisasse de registro no T.R.E. Para ser Deputado/Senador. A partir da regulação é jornalista quem quiser, basta ter uma boa carteira comercial e pronto. Será que vai ficar por isso mesmo? A classe vai aceitar essa modificação sem fazer nada? Acho que não, tem que existir um certo agrupamento e uma reunião, protesto na praça da Sé.

Os jornalistas que estudaram, que se foram não pode deixar tão barato essas modificações impostas pelos homens da pátria. Daqui a pouco eles vão dar o direito dos bacharéis assinarem os requerimentos de petições.

Por que precisa ter registro na ordem? Os bacharéis fizeram as mesmas faculdades, apenas não conseguiram a aprovação na ordem. Pouquinha coisa, não?

Conheço bacharel que já tentou dez vezes e não conseguiu. A ainda assim no Brasil está abarrotado de advogados que não são advogados. Não sei se passou despercebido, mais isso é uma afronta contra os jornalistas que fizeram o curso, obedeceram o que mandaram a lei.

Se aprovada e sancionada essa lei, eu recebo como uma vingança política. Muitos políticos (Maus políticos) foram e são criticados pela imprensa e estão se vingando. Vingando de uma maneira baixa, Sórdida e rasteira.

Os jornais já existem, embora seminocauteados, vão seguir na mesma linha, todavia não vou ficar boquiaberto se surgirem pequenos jornais de uma ou duas folhas repletos de erros clássicos de português, não será português assim de “portugueis”. Lógico são jornais com data marcada para ter seu término.

Fazer um jornal não para qualquer um, é para quem estudou para isso. Em muitos jornalecos, podem até aparecer estampa na primeira pagina (ou pagina única) uma carta parabenizando determinado Deputado por ter conseguido o feito. Coisas mais ou menos assim “venho por meio desta dar os parabéns a Vossa excelência por mais uma vitoria” tal é tal, etc e etc. fazer o que? Engolir com farinha.

Na vida real existem muitos leitores curiosos e uma ou duas vezes ele pode ater ler, mas não cairá na terceira vez. E quem perde com isso? A própria nação. Eu. Você que pensamos em viver em um Brasil alfabetizados, falando fluentemente nossa língua. Infelizmente tem gente que não olha para frente, parece aquele animal de quatro patas, chamado cavalo que vem do latim caballu, que costuma usar tapa olhos para não ver dos lados.

Não é minha intenção ofender ninguém, muito menos os pobres animais que tanto trabalham em troca de nada, apenas pela alimentação. Vai depender muito dos dirigentes dos jornais.

Não acredito que eles vão querer baixar o nível. Outros baixaram porque não são jornalistas de verdade, são oportunistas que não estão dando a mínima para os leitores. Que tal se mudarmos o nome de jornal para panfletos? As autoridades no Brasil estão querendo o quê? Esculhambar com tudo? Jornalista tem sido uma coisa séria neste país. Séria e barata.

Vejam quanto custa um jornal. É preciso um bom departamento comercial para que ele circule corretamente, sem prejuízo e nem precise de ajuda do dinheiro publico. O Presidente da Republica vai sancionar isso? Depois, não se queixe do alto índice de analfabetos no país.
Enio Campos
Cronista e Jornalista
Colaborador e um dos fundadores do ARCRON
Reside em Serra Negra - SP

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